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Encontros Literários no Novo Nicho pra Santa

Encontros Literários no Novo Nicho pra Santa, na Casa Lygia Bojunga, Santa Teresa, Rio de Janeiro.
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domingo, 29 de abril de 2018

Janelas da escrita: memória de Bartolomeu Campos de Queirós


Ninfa Parreiras autografando "Janelas da escrita: memória de Bartolomeu Campos de Queirós"

As janelas abertas de Papagaios, MG
Ninfa Parreiras
Dia 21 de abril de 2018 foi um dia histórico para a cultura em Minas Gerais. Em Papagaios, aconteceu o lançamento da obra Janelas da escrita: memória de Bartolomeu Campos de Queirós, da minha autoria. A Casa de Cultura Dona Petita e a Associação Cultural Bartolomeu Campos de Queirós abriram as janelas e as portas para receberem um público de cerca de 200 pessoas, algumas papagaienses, outras vindas de diversas partes do país. Uma comitiva de mais de 30 pessoas do Rio de Janeiro, outra comitiva de Belo Horizonte, de diversas cidades vizinhas de Papagaios, além de convidados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Rondônia, Bahia, Portugal e de outros lugares. São todos amigos ou admiradores do saudoso Bartolomeu, que adotou Papagaios como sua cidade de origem.
Das 10h às 15h, o público pôde conhecer o Museu Bartolomeu Campos de Queirós, com móveis, livros e objetos de arte que foram do autor, doados pela família dele. Uma feira de artesanato local, um farto café da manhã, além da simpatia das pessoas da cidade foi o ponto forte do evento. E ainda um sarau com frases poéticas de Bartolomeu e palavras de boas vindas do prefeito Mário Reis Filgueiras, do presidente da Associação Cultural Bartolomeu Campos de Queirós, Dr. Gustavo Rezende Lobato, e da conselheira Rosa Maria Filgueiras Vieira.
O livro, publicado pelo Fundo Estadual de Cultura – FEC, de Minas Gerais, foi agraciado com um patrocínio que possibilitou a sua edição e distribuição gratuita aos presentes. Foi também doado a bibliotecas públicas locais, estaduais e federais. Coordenado duplamente pelo professor Adebal de Andrade Júnior e por Rosinha Filgueiras, o livro traz um trabalho que desenvolvi ao longo de 10 anos de pesquisa e de escrita/reescrita.
Visitei a cidade muitas vezes, escutei moradores contemporâneos do Bartolomeu e conheci locais pitorescos que marcaram a sua vida e, consequentemente, estão presentes em sua obra. Escrever sobre a produção literária de um dos mais importantes autores brasileiros dos últimos tempos foi tarefa difícil. Busquei metáforas que pudessem traduzir a força da literatura dele, como a janela que abre e fecha, em permanente diálogo com a escrita e a vida.
Autor de 69 livros publicados para todos os públicos, Bartolomeu morou na sua juventude na cidade, onde fez inúmeros amigos e contribuiu intensamente, ao longo dos anos, para o fortalecimento da vida cultural e educacional do município.
O que mais me impressionou no dia 21 de abril foi a acolhida calorosa das pessoas e a organização impecável do cerimonial que transcorreu bem e divulgou não somente a obra do Bartolomeu, mas o que há de melhor em Papagaios: a gente, a cultura e a gastronomia.
Estar em Papagaios fortaleceu um clima de responsabilidade social de todos nós para atravessarmos os tempos sombrios que estamos vivendo, com o desmonte de instituições e a dificuldade de publicações literárias e de realização de eventos literários. É na iniciativa coletiva, de diferentes segmentos da sociedade, que podemos reverter o cenário assustador de falência cultural do nosso país. A iniciativa pública e privada (governo e associações culturais), de mãos dadas, pode produzir cultura. Janelas da escrita: memória de Bartolomeu Campos de Queirós é um bom exemplo!
                                                                                                 (outubro, 2018)





quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Algumas palavras, alguns livros, 24

O sumiço das flores

                                 ninfa parreiras

Segundo livro de Filomena Silman (ilustrações Emerson Pereira, J. A. Cursino Editores), O sumiço das flores relata a história da menina Fifi, que se depara com baldes de flores chegando em casa. Ia ter festa? O que era aquilo? Ela e sua amiga separaram as flores pelas cores. Brincadeira e muita imaginação foram vividas atreladas a pensamentos cheios de dúvida pelo quintal e pela vizinhança. Os adultos ficavam ora em silêncio, ora sem palavras. 
Aquelas horas transcorreram rapidamente e Fifi se surpreendeu com os baldes vazios e algumas folhas boiando. Para onde foram aqueles coloridos buquês? Por que os adultos não conversavam com as crianças?
A perda da avó é o assunto deste conto que mostra o ponto de vista das meninas, com as suas inseguranças e questionamentos. E mostra ainda a dificuldade dos adultos em conversarem sobre as perdas com as crianças.
Filomena Silman estudou na Estação das Letras, no curso de Literatura Infantil, por muitos anos. Atualmente, mora fora do Rio de Janeiro e volta todo mês para compartilhar seus escritos com um pequeno grupo de amigas. No encontro de fevereiro, trouxe seu lindo livro pronto.

Falar com as crianças sobre morte, partida, doença, perdas é uma forma de respeitar a infância. Uma boa conversa nos ajuda a elaborar as coisas que não entendemos bem e que as explicações racionais não dão conta.  
Na literatura, os assuntos e temas tabus podem e devem ser abordados, preservando o olhar da criança, seus sentimentos e indagações. Foi o que Filomena fez, com muito cuidado e lirismo. Que venham outros contos compartilhados entre amigas. Afinal, a literatura e a amizade são alimentos para nossa alma.


Lúcia Morais lê o conto O sumiço das flores no grupo de amigas.
(fotos: arquivo pessoal, verão 2017)

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

A Vida é um Mosaico

                                      Ninfa Parreiras

Conheci o projeto da APAC - Associação de Proteção e Assistência aos Condenados, de Itaúna, MG, por meio destes artesanatos em mosaicos. Uma entidade dedicada à recuperação e reintegração social dos presos a penalidades privativas de liberdade. Ela tem desenvolvido diversos projetos na minha cidade. A delicadeza e a simplicidade são as marcas destas artes, verdadeiras recriações. Há pessoas voluntárias que atuam diretamente com os artistas-aprendizes.
A vida é um mosaico, feita das muitas partes que nos constituem: as memórias, o passado, o presente, os sonhos, as frustrações. Todo dia estamos juntando os caquinhos e re-começando novos processos. Ou retomando o mesmo de sempre, com os pedaços que escolhemos. A colocação de tesselas, num jogo de encaixe, é um exercício de paciência, de reinvenção de si.
A antiga arte do mosaico remonta à Mesopotâmia, ao Egito e, posteriormente, à Grécia e a Roma. Curiosamente, a palavra Mosaico quer dizer, em grego, obra das Musas. Algo que transcende o âmbito racional. Conecta-se com o divino, o mais além, o inconsciente.
Em Ravena, última capital do Império Romano no Ocidente, após a queda de Roma no século V, encontramos os mosaicos bizantinos, tombados pela UNESCO. Encantam aos visitantes pela riqueza de detalhes. São dezenas de museus, batistérios, capelas e igrejas, ornados com painéis, tetos, altares e pisos. Foi nesta cidade italiana que a Idade Média começou.

Um passeio em Conímbriga, Portugal, nos revela mosaicos de museus ao ar livre, de ruínas romanas do século II d.C. Passeios a céu aberto fazem os olhos dos turistas riscarem o espaço de tanto olhar para cima e para baixo.
Mais perto de nós, no Matutu, em Aiuruoca, MG, Candido de Alencar Machado, mantém um ateliê integrado a uma deliciosa pousada campestre. Seu trabalho é digno de reconhecimento e aplausos: minúsculos pedacinhos de azulejos moldam rostos, cenas religiosas, cenários místicos e diversos. O artista mineiro faz sua arte pacientemente, rodeado de montanhas da Serra do Papagaio.
Foi uma surpresa saber que, em Itaúna, a APAC é exemplo para associações de condenados e que a arte e o artesanato existem ali para transformar afetos e dar dignidade aos presos. Um modelo a ser conhecido e copiado por penitenciárias e cidades.
(fotos: arquivo pessoal, APAC-Itaúna, verão 2017)
Conheça mais:
Sobre a APAC: http://www.apacitauna.com.br/
Sobre Ravena: http://www.viajarpelomundo.com/2012/10/os-mosaicos-bizantinos-de-ravena.html
Sobre Conímbriga: http://www.conimbriga.pt/index.html
Sobre Candido de Alencar Machado: http://www.pousadamatutu.com.br/mosaicos.htm