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Encontros Literários no Novo Nicho pra Santa

Encontros Literários no Novo Nicho pra Santa, na Casa Lygia Bojunga, Santa Teresa, Rio de Janeiro.
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segunda-feira, 16 de maio de 2011

LIVRO DE IMAGEM


Ninfa Parreiras
            
          Como podemos caracterizar o livro de imagem? Aquele feito apenas para crianças que não lêem as letras? O livro que não tem texto? Uma obra para alfabetizar os pequenos? Um livro feito de imagens que ensinam?
O livro de imagem é constituído exclusivamente de ilustrações (desenhos, pinturas) e/ou de imagens (fotografias, montagens, colagens), sem objetivo didático de ensinar nem de alfabetizar. Não há texto no livro de imagem e, se houver, uma ou outra palavra que não faria falta à leitura. No livro de imagem, o que conta a história, o que relata o ocorrido, são as ilustrações. Não necessariamente são obras de caráter informativo, que falam sobre frutas, sobre animais, por exemplo. A criança poderá tomar contato com uma gama de objetos diferentes, com cores e texturas variadas. E poderá acompanhar a sequência de um fato ocorrido ou experimentar diferentes sensações visuais, sem ser a narrativa de uma história.
Não há condição a priori no livro de imagem: ensinar, educar, alfabetizar. É uma obra de entretenimento, para a criança manusear, passar os dedos, os olhos e apreciar as imagens. Se houver algum aprendizado após a leitura ou alguma satisfação da criança no contato com a obra são eventos que acontecerão a posteriori. Não podem ser o objetivo do autor, nem da editora, nem do mediador de leitura (os pais, os professores). O contato e a aproximação de uma criança com um livro devem ser incentivados sem a espera de resultados imediatos. Mais que tudo, o livro de imagem traz a possibilidade de contato com a arte (da imagem), com o mundo interno da criança (fantasias, dúvidas, sonhos). Ao manusear e tocar esses livros, aos poucos, a criança é introduzida no universo mágico da literatura. Ela conhecerá outras realidades, outras experiências. E poderá usufruir de obras cuja linguagem predominante é a ilustração, tão necessária para apurar o olhar e outros sentidos.
            Esse tipo de livro é muito comum no Brasil, como iniciativa dos ilustradores que, na maioria das vezes, são os autores da obra. Isso porque acontece de termos uma obra ilustrada com a parceria de um escritor que concebeu a ideia das imagens, juntamente com o ilustrador.
            A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ, instituição pioneira no Brasil na seleção e premiação de obras para a infância, criou, em 1981, o Prêmio Melhor Livro de Imagem, concedido anualmente às melhores obras da categoria. Em 2011, esse prêmio completa 30 anos e comprova a qualidade das obras publicadas na área. Artistas como André Neves, Roger Mello, Angela-Lago, Nelson Cruz, Marilda Castanha, Ivan Zigg, Juarez Machado, Eliardo França, Eva Furnari, Graça Lima, Mariana Massarani se destacam como autores de livros de imagem e também como ilustradores. O Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens (de 06 a 17 de junho de 2011: http://www.fnlij.org.br/) vem aí e vale a pena conferir os livros desses e de outros autores brasileiros e estrangeiros!
Um dos primeiros livros de imagem publicado no Brasil é Ida e volta, de Juarez Machado, da editora Agir, de 1980, indicado para crianças de todas as idades. Há obras sem texto que são bem lidas também pelas crianças maiores, pela complexidade da trama ou das metáforas traduzidas em imagens. Ida e volta leva o leitor a um labirinto de pegadas como o movimento de passar as páginas de um livro. Além das características lúdicas e das metáforas, a presença da metalinguagem se destaca, quando temos a oportunidade de questionar a própria criação artística, num ir e vir à busca de caminhos. Obra premiada pela FNLIJ como Melhor Livro de Imagem em 1981.


(para a professora Marisa Bello, da EM Maria de Jesus Oliveira, Rio de Janeiro)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

O CEAT homenageia Bartolomeu na 3ª FLIST

CEAT homenageia Bartolomeu na Festa Literária de Santa Teresa, histórico bairro do Rio de Janeiro, um dos cartões postais da cidade maravilhosa


Bartolomeu Campos de Queirós veio especialmente de Minas Gerais para esta homenagem na 3ª Festa Literária de Santa Teresa - FLIST, promovida pelo Centro Educacional Anísio Teixeira – CEAT, escola com ampla experiência na educação de crianças e adolescentes. Esse cuidado e atenção com o público leitor são algumas das suas virtudes. Ele gosta de encontrar as pessoas, de contar uns causos, de escutar uma prosa sem pressa, de ler vagarosamente o mundo.

Antes de entregar um texto para uma editora, Bartolomeu lapida as palavras, relê, passa a limpo, deixa que descansem nas gavetas, faz um trabalho de ourivesaria com as letras, os versos... Ele modela, ele solda, ele refina cada pedacinho do texto.
Mesmo em prosa, sua escrita é poesia. Em seus mais de 60 livros dirigidos às crianças, aos adolescentes e aos adultos, Bartolomeu mantém uma coerência com a defesa de uma ética da infância. Seja em seus textos ficcionais, seja em seus ensaios, ele não engana o leitor, ele traz, por meio de figuras de linguagem e de jogos de palavras, diferentes afetos que fazem parte da nossa vida.
Ele está firme na sua defesa pela promoção da leitura literária como instrumento de aquisição da cidadania. Faz parte do Movimento Por um Brasil Literário, juntamente com outras instituições. E redigiu o manifesto bem como outros escritos desse Movimento recentemente.
O autor está traduzido em diferentes línguas, foi indicado aos mais importantes prêmios brasileiros e internacionais: o Hans Christian Andersen do IBBY (considerado o pequeno nobel) e o Prêmio Astrid Lindgren Memorial Award, da Suécia. Recebeu significativos prêmios: da maior instituição brasileira dedicada à literatura para a infância, a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, da Academia Brasileira de Letras, o Jabuti da Câmara Brasileira do Livro. E em 2008, pelo conjunto da obra, recebeu o IV Prêmio Ibero-americano SM de Literatura Infantil e Juvenil, no México.
Em todas as suas realizações profissionais (como educador, como professor, escritor, pensador da cultura, consultor de literatura), o poeta abraçou o sonho de construir uma sociedade mais justa, em que a educação e a arte sejam acessíveis a todos.
Bartolomeu começou a publicar seus trabalhos na década de 70 e continua a encantar todos nós com seus passarinhos, galinhas, ovos, anjo, olho... todos eles metáforas da solidão, da alegria, da perda, da saudade, do tempo, da própria vida...
Quando o CEAT homenageia o Bartolomeu aqui em Santa Teresa, temos um encontro de histórias, de memórias, de tessituras. Um colégio que prima pela educação da autonomia, da liberdade criadora, um autor que se debruça sobre a arte da palavra e um bairro que nos recebe do alto de um morro cheio de histórias e de cultura derramada por essas ladeiras centenárias.

Ninfa Parreiras, especialista em literatura infantil, psicanalista

                            
Rio de Janeiro, 14 de maio de 2011.

(foto: arquivo pessoal, Bartolomeu brincando, Papagaio, 2007)