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Encontros Literários no Novo Nicho pra Santa

Encontros Literários no Novo Nicho pra Santa, na Casa Lygia Bojunga, Santa Teresa, Rio de Janeiro.
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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Além dos Livros 1

Por parte de pai

Bartolomeu Campos de Queirós está bem perto de nós, no Rio de Janeiro, no Teatro Maria Clara Machado (Planetário da Gávea), na interpretação da atriz Nathália Marçal. A direção é de André Paes Leme e a produção da Rubim Projetos e Produções. A peça de montagem mineira Por parte de pai, baseada na obra do autor, nos aproxima de suas palavras, de seus tempos, de seus pensares. Da escrita, da criação.
Imperdível, o trabalho de Nathália nos reproduz o texto de Bartolomeu. É ele que está ali, com o Seu Queiroz, a avó de saias rodadas, a rua da Paciência, a casa cheia de paredes escritas pelo avô janeleiro. Iluminação, cenário, movimentos de cena se deslocam por um tempo que passou, mas continua presente na memória de cada um.
O que há de bacana na interpretação de Nathália é a irreverência na mudança de papeis, de personagens. Com muitas vozes, ela nos fala direto ao coração. Ao modo do escritor, ela se faz em muitos. Beleza de espetáculo!

Até 07 de outubro 2012, no Rio de Janeiro, sextas e sábados, 21h e domingos, 20h, no Planetário da Gávea, Teatro Maria Clara Machado

Ninfa Parreiras


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Algumas palavras, alguns livros 19


Cantarim de Cantará
Sylvia Orthof
Ilustrações Mariana Massarani
Rio de Janeiro: Rovelle, 2010
            Em linguagem híbrida, como grande parte da obra de Sylvia Orthof, Cantarim de Cantará evoca o drama e a poesia, passeia pela prosa. A passarinhada se junta para aclamar a liberdade. A Pomba-Rolinha, ao perder seu lar, descobre sua independência e a autonomia de voar livre.
            Originalmente, é um texto teatral que marcou época no teatro infantil brasileiro. A peça usa como símbolo e personagem central um passarinho, e conta sobre uma época em que as grades interrompiam o voo da criação, mais precisamente a ditadura, os tempos do autoritarismo. Pela linguagem, a autora cria neologismos, reinventa a vida.
Inspirada na antológica obra de João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina, quer pelos aspectos da linguagem, quer pelos deslocamentos das aves, quer pelas dificuldades por que passa Pomba-Rolinha, é um belíssimo texto poético. Publicado pela primeira vez em 1984, o texto de Sylvia acaba de receber nova roupagem da editora Rovelle, com ilustrações de Mariana Massarani. Humor e graça são traços das imagens que se somam à aclamação à vida das palavras de Sylvia.nos traços de Massarani, alçamos voos e passeamos por caminhos de mudanças.
Aves brasileiras estão presentes, como o urubu, o bem-te-vi, o sabiá. E ainda o milharal, o sol, a lua, as estrelas e uma boa ciranda nordestina e mineira. Isso é o texto orthófico: cheio de misturas, de mesclas culturais, linguísticas, com a abordagem do outro (diferente de nós) que deve ser respeitado como tal. Parabéns à Rovelle ao trazer para os leitores novas edições de obras da saudosa Sylvia Orthof que completaria 80 anos em 2012!
Ninfa Parreiras