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Encontros Literários no Novo Nicho pra Santa

Encontros Literários no Novo Nicho pra Santa, na Casa Lygia Bojunga, Santa Teresa, Rio de Janeiro.
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quarta-feira, 27 de março de 2013

Cadeados do Amor

Cadeados do amor

Ninfa Parreiras
 As pessoas são capazes de muitas coisas. Pelo amor. O amor é um escândalo. É uma transgressão. Um salto no mais alto escuro. Um mergulho no que há de mais fundo na nossa alma. Uma entrega sem limites. Destemperada, adoçada, apimentada.
Ao caminhar em um parque de Freiburg, no último inverno na Alemanha, uma ponte repleta de cadeados amorosos. Casais apaixonados selaram, ali, com os nomes gravados, seus compromissos amorosos. Há cadeados de todos os tipos, cores, formas, marcas. Com brilhantinhos, com alcinhas. Há cadeados de famílias, um preso ao outro. Nomes e sobrenomes. Apelidos. Em alemão, em árabe, em línguas eslavas, em outras que desconheço.
E as chaves? Estariam guardadas em algum lugar? 

 
          A ponte atravessa um belo lago rodeado de árvores e de trilhas próprias para caminhadas, passeios de bicicleta, patins. O vento soprava gelado. E os cadeados permaneciam trancados. Quase congelados. Como se a relação estivesse blindada contra surpresas, ameaças. Será possível trancar um amor assim? 
 Não posso deixar de pensar nos contos de fadas, nas juras de amor das princesas e príncipes, nos desafios impostos a personagens encantados. A vida é feita mesmo de coisas mágicas, de sonhos que inventamos e reeditamos.
Naquela tarde, vi passarem esportistas, famílias, casais, bebês levados pelos pais. Vi passar a ponte dos amores. Vi passar a vida. Não vi as chaves.

Fotos: arquivo pessoal, Freiburg, Alemanha, inverno 2013
pra Renata Gomide Hank