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Encontros Literários no Novo Nicho pra Santa

Encontros Literários no Novo Nicho pra Santa, na Casa Lygia Bojunga, Santa Teresa, Rio de Janeiro.
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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Algumas palavras, alguns livros 20

Eu quero ver a lua
Louis Baum
Ilustrações Alarcão
Rio de Janeiro: Rocco, 2012
Editado na Inglaterra em 1984, Eu quero ver a lua é um dos mais importantes livros publicados para crianças nas últimas décadas. Nele encontramos a magia da infância e o lirismo da literatura. Louis Baum, sul- africano residente na Grã Bretanha, é o escritor dessa consagrada obra agora publicada no Brasil pela Rocco. Jornalista, editor e escritor fazem dele um grande autor a ser lido pelos brasileiros.
A sensibilidade com que criou Eu quero ver a lua nos revela um cuidado e uma escuta ao desejo da criança. Por que elas nos pedem coisas difíceis? E, algumas vezes, até inexplicáveis? Por que insistem? Isso está respondido no livro de Baum.
Qual é a mágica da literatura infantil? O que faz com que os leitores se encantem por um livro? Os conteúdos? As ilustrações? Certamente, uma boa combinação de texto e de ilustração. As crianças pedem para que nós, adultos, as ajudemos a entender a estranheza do mundo, da vida. A entender as coisas estranhas. Na literatura, esse estranhamento pode se apresentar de formas variadas, algumas vezes lúdicas, outras vezes metafóricas. E até por meio de repetições estilísticas. É o que acontece em Eu quero ver a lua.
O querer ver a lua é uma metáfora da brincadeira, da descoberta do que há de misterioso no céu de noite. É ter a companhia do pai para ver a lua. Não bastam a ida ao banheiro, uma fralda limpa, um copo d’água, uma história... A lua é a mais mágica das criaturas para Arthur. A lua é o brinquedo! E estar com o pai é algo muito gratificante!
As ilustrações de Alarcão exploram nuances e tonalidades noturnas e oníricas. Remetem o leitor ao sonho, uma criação tão próxima da literatura. Ambas são feitas de linguagens condensadas, simbólicas. Os movimentos dos personagens, como o balançar a cabeça, o olhar, a lua encoberta de nuvens valorizam a descoberta e a surpresa.
Nada melhor para as crianças pequenas que a brincadeira de esconde-esconde. É isso que escritor e ilustrador fazem nesta obra, numa composição metalinguística com a própria criação do livro. A fumaça do leite quente, as nuvens no céu, os cabelos do menino, o papel de parede, o edredom de cobrir, a fumaça das chaminés reproduzem um movimento de ondas, de imagens não reveladas, de sonhos.
(texto para a editora Rocco, catálogo da FLIP 2012)
Ninfa Parreiras
Escritora e psicanalista